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No entanto, a nível reflexivo, se uma pessoa se percebe na condição de ter muitos sonhos eróticos, frequentemente, bem como poluções noturnas igualmente frequentes, isso não poderia ser um indício de que seus pensamentos estão inclinados, mesmo que inconscientemente, ao desejo sexual desordenado? Afinal, os sonhos são produto dos nossos pensamentos e desejos. É claro que há toda a problemática de que seria difícil disciplinar pensamentos que não são identificáveis conscientemente, mas que afloram somente durante o sono. Além de que podem haver exceções. Mas não seria, pelo menos, um indício?
Não se pretende insinuar que é obrigação moral da pessoa se preocupar com isso e combater a situação, uma vez que consegue frear seus instintos no nível consciente, mas não no inconsciente. Seria, talvez, absurdo se exigir qualquer esforço para se combater algo que atua no inconsciente (digo talvez porque não sou psicólogo, então não arrisco firmar nada, rs), a não ser, talvez com a oração. Mas também não se pretende insinuar que esta situação constitua prejuízo para a alma do indivíduo (embora acredite que isto seja discutível, mas não é o que levanto aqui). Alguns poderiam perguntar: não seria, pelo menos, um indício?
Seja a pessoa X.
Intenção de X: Não desejo ter uma polução noturna.
X teve polução noturna.
A intenção de X é sadia.
Não vejo como ter uma intenção sadia ao querer que uma parte do ato conjugal atue contra a ordem inerente à sua própria natureza. Que não seja intenção, mas efeito exclusivo de um processo fisiológico ao qual não se assente.
SOBRE POLUÇÃO
"É voluntária, se diretamente desejada; involuntária, se provém de causas naturais, sem o consentimento da vontade. A polução pode ser direta ou indiretamente voluntária, segundo se tenha a intenção, ao praticar uma ação que a provoque, ou seja consentida quando ocorre involuntariamente, ou então, quando é prevista como conseqüência de determinada ação, mas tem a intenção de provocá-la.
Da polução, se distingue, a destilação, que consiste na emissão de outro humor menos copioso e menos denso, que facilita a saída do sêmen e que costuma produzir-se tanto na puberdade quanto na impuberdade.
A destilação voluntária é sempre pecado mortal, que não admite parvidade na matéria; se é indiretamente voluntária, a sua malícia deve presumir-se da causa; se é involuntária não constitui pecado.
MALÍCIA DA POLUÇÃO
a) A polução diretamente desejada é sempre pecado mortal "ex toto genere suo".
Não importa o modo pelo qual é provocada a polução, pois não constitui malícia especificamente diversa, desde que não exista alguma circunstância que acrescente uma nova malícia, por exemplo, sedução, desejo por pessoa de outro sexo, etc.
b) A polução indiretamente voluntária pode ser pecado grave, leve ou não constituir pecado.
c) A polução noturna, se involuntária não é pecado.
É pecado grave ao contrário, se alguém antes de dormir toma medidas capazes de suscitar no sono a polução. Se a causa foi prevista mas não desejada, será pecaminosa ou não, ou mais ou menos pecaminosa segundo o que se disse para a luxúria indiretamente voluntária.
A polução que advém no semi-adormecidos, por causa da advertência imperfeita não é pecado grave, embora a ela se preste consentimento.
O relativismo, a principal arma do diabo para nos roubar a Verdade, existe desde a criação do mundo. Não há nada de moderno. É por meio deste instrumento que o diabo "desdiz" o que Deus disse.
Em nome de um prazer mundano de "aspecto agradável" (Gn 3,1s) os homens e as mulheres, ao relativizarem os preceitos eternos de Deus, querem se fazer "como deuses, conhecedores do bem e do mal" (Gn, 3,5)
Esse foi o primeiro e maior pecado da humanidade: mesmo conhecendo os preceitos divinos (Gn 2,16-17) abandonou-os, depôs o Deus verdadeiro de suas vidas e colocou no lugar o deus prazer.
É triste ver pessoas ligadas à religião, e até se dizem atuantes, definirem o pecado como algo que "não faz mal nenhum". Como desculpa comodista para viverem uma vida de pecado, dizem que tal e tal pensamento da Igreja é "atrasado" e precisa se "modernizar". Essa mentalidade produz resultados funestos e deve ser evitada e até combatida.
Sei que não sou nada, e que nada sei. Mas, do nada que eu sei, digo para aqueles que acham sabem até mais que Deus: sejam humildes e aceitem Deus por inteiro em suas vidas. Não existe Deus pela metade. Uma meia verdade é uma mentira completa. Um meio-deus, adequado a necessidades particulares, é um demônio completo.